segunda-feira, 12 de setembro de 2016

E você, me aceita?




E você, me aceita?
Meu bom humor é de graça.
 Aceite. 
A cartilha do riso me ensina a enganar os olhos, se vejo a tristeza distraída pelos cantos, corto a volta.

 Aguente meu alto índice de alegria, minha poção mágica pro desespero. 
Aperte nas mãos meus caprichos e construa pequenos detalhes.

 Moro no acaso, o simples é minha corrente de esperança. 
Não aceito papel de má.
 E boazinha é um apelido quase feio. 
Fico no meio termo. 

A virtude não me atrapalha e o improvável sempre me aceita.
Às vezes escorrego, mesmo equilibrada na minha estante de conceitos. 
Aprenda a me ler. 
Apenas leia. 
Gosto de me esconder nas entrelinhas, de escapar nas vírgulas, de me perder nos pontos.
 Eu me faço, refaço, pinto e bordo do jeito estranho e poeta que sei ser.

 Carrego comigo o mundo, as músicas, as lembranças de que, teimosa, não sei me desfazer e sorrio com chuva nos olhos, porque sempre tem algo pra se esconder. 
Maquiagem de graça essa, discreta como só o beija-flor sabe ser. 

Vou plantando o riso nas esquinas, colhendo o amor estilhaçado e reconstruindo vidas, principalmente a minha.

Tem sempre algo que falta, tem sempre uma saudade infinita, tem sempre um amor antigo, um amor morrido e um amor novinho pra ser inventado.
 E se é assim, invento.
 E reinvento todos dias, botando mais açúcar quando dá vontade ou colorindo da cor que bem desejar.

 Mas tem que ser doce, aceite.
 Preciso da doçura caminhando lado a lado, do sabor do mel nos lábios, porque já estou calejada de amargura e acidez. Principalmente das palavras, que vem com rostinho inocente, mas te derrubam e te destroem por dentro.

 Não, não, não.
 Tem que ser doce, pra aguentar o peso de todas as mentiras esfoladas que são continuamente arremessadas sobre o nosso dia-a-dia.

Então, por favor, aceite.
 A embalagem que carrego é transparente. 
Meus olhos possuem a doçura como lacre.

 Vejo o que desejo. 
Fecho os olhos quando perco o tino.
 Porque não possuo o poder de não errar.
 Gosto de ser humana. 

Meus defeitos são gritantes e minha boca costuma cuspir silêncios rodeados de solidão. 
Não, eu não costumo ser sozinha. 
Eu ando rodeada de gente. 

É que ás vezes minha multidão é vazia. 
Não ria, eu crio personagens. 
É minha forma de lidar com esse teatro que está montado no peito.

 Eu sou artista sem plateia.
 Criança de palavras tortas. 
Menina que aprendeu a não julgar. 
Mulher que não se esconde quando quer gritar.

E você, me aceita?



JuFuzetto & Maria Fernanda Probst



Não sou resposta.



Sou composta pelos exageros que cometo, pelas ternuras que 
distribuo, pela raiva que me move até a raiz da superação, pelas amizades construídas, pelos desafetos absolvidos. 

Eu sou maré alta quando sou tocada na Alma que me amplia.
Sou maré baixa quando desmotivada pela diplomacia cúmplice da indiferença. 

Sou bossa nova apoteótica.

Meu barquinho é do tipo que cruza o oceano dos medos que aprendi e das coragens que jamais tive. 
Sem motor. 
Sigo à remadas.

Sou leve e densa.
 Incapaz de ser uma só. 

Me perco, me acho, me encontro em cada desencontro. 
Eu sou andarilha de uma bússola que só segue em frente.
Meu norte e direção é a vida que me dá. 

Não sou resposta. 
Meu nome é pergunta, sempre!

Cláudia Dornelles

domingo, 28 de agosto de 2016

Você é mesmo livre?


Você é mesmo livre?
Será?

Se não, experimente sentir-se amada...
Não por este ou aquele, não de fora para dentro, experimente sentir-se amada de dentro para fora!
Sem depender de ninguém para isso. 

Experimente perceber-se importante, interessante, adorável e linda... 
Porque é exatamente como devemos nos aceitar! 

Apesar do que tenha sido dito contra, apesar do que tenha sido feito contra, apesar de existirem tantas vozes que, por não se darem o devido valor, por vários fatores, também não sabem valorizar o outro. 

Desconhecem os motivos certos pelos quais devemos nos encantar com alguém... 
E tudo bem, deixemos pra lá, o mundo um dia há de se transformar... 
E pro bem de tudo e todos, havemos de evoluir! 

Pra isso, experimente desde já sentir-se amada! 
Olhando-se com carinho, cuidando-se com ternura, respeitando-se com sabedoria, não mais se submetendo a receber, deste ou daquele, somente as migalhas do que realmente merece... 
Experimente sentir-se amada, de forma plena... 
Segundo o amor divino... 

Não o arremedo vendido no comercial... 
Muito menos aquele besteirol recorrente em toda novela... 
Experimente sentir-se amada por você mesma. 

Antes de seja quem for. 
Quem está de bem consigo, está de bem com Deus... 
E isso salta aos olhos... 
Arranca suspiros... 
Deixa o mundo tonto... 
Quebra tudo e permite que o novo aconteça... 
Então, experimenta! 

Porque somos tão livres e felizes quanto permite a nossa falta de disposição em nos submeter ao que só faz mal... 
Indisponha-se moça... 

Liberte-se. 
Experimentando sentir-se amada, por quem mais importa... 
Você!


Gi Stadnicki. 




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Impaciente ou não,



Impaciente ou não,
tenho um coração
que gosta de viver. 

Independente do que a vida
me reserva, eu creio nessa força
que me atiça e me leva pra lugares
mais próximos, mais distantes..

Pra lugares indescritíveis.
Lugares, esses,
que eu imagino que existam.

Lugares que cabem
dentro da alma,
dentro do imaginário,
dentro da realidade.
Sou o avesso das coisas
que não entendem
o meu sentir...

Me torno rebelde
quando o assunto
é minha felicidade.


Sil Guidorizzi



sexta-feira, 29 de julho de 2016

O amor lhe será recíproco...





Nem tudo é reciprocidade, aceite isso.
Aceite dar sem expectativas de retorno, aceite sentir o que tiver de sentir pelo outro, consciente de que nem sempre haverá o mesmo sentimento do outro lado.

Aceite que amar é simplesmente amar; não implica em ser amado. 
Aceite o pouco ou o nada que lhe dão, aceite com resignação. 
Aceite que a flor ofertada pode lhe chegar murcha, sem vida e cheirando mal. 

Aceite que o que vem das pessoas nem sempre é o bem. 
Aceite que o bem tem que sair de você, sempre; independente de quem o recebe merecer.

Aceite a brincadeira sem graça que a vida vire e mexe lhe oferece, e saiba que a graça estará lá frente, quando ela perceber que você amadureceu o suficiente dizendo: "eu não vou lhe revidar!". 

Seja na ironia, no tapa na cara, no virar as costas, nas gargalhadas diante do seu sofrimento. 
Seja lá de que forma for que ela tripudie de você, você não irá revidar. 

Lembre-se da reciprocidade. 
E nada é mais recíproco para um ato covarde de desamor, que um ato de amor. 

Aceite que o amor é um movimento interno que ganha força e voa; voa como um pássaro livre dentro de uma gaiola gigante que atende pelo nome de corAção. 

O amor só é recíproco com ele mesmo e com mais ninguém.

Ame o amor, ame-se, ame e não espere o amor de mais ninguém além do seu próprio amor, e o amor de Deus.

Ame como se fosse a sua última missão na terra.
Ame na paz e na guerra.
O amor lhe será recíproco... só o amor, meu amigo, só o amor.


Laura Méllo


Eu me permito!



Eu me permito cansar, me permito doer ao respirar, me permito esvaziar o peito, calejar o coração, ralar a esperança, desgastar a fé.

 Eu me permito querer deitar os sonhos mesmo quando o corpo parece estar de pé, admitir o não no momento em que tudo se vestiu de sim. 

Eu me permito machucar, me permito cair, me permito iludir, me permito falar pra ninguém ouvir. 
Me permito errar, falar quando não devo, insistir quando a razão não obedece, acreditar mesmo quando o coração adoece. 

Eu me permito olhar além, ainda que mareada por ver um horizonte que não me traz terra firme. 

Eu me permito mirar no norte quando minha bússola interna me diz sul, me permito nublar o sentimento mesmo quando o céu estiver azul, me permito ser de carne e osso, ser obra inacabada, sempre esboço. 

Me permito tremer de medo e mesmo assim meter a cara, me permito declamar as poesias que escrevo mentalmente e as guardo, a derramar os sonhos que idealizo mentalmente e também os guardo. 

Me permito ser ferida, a me jogar na vida, a não marcar hora com o destino, a acreditar que, mesmo menino, a tempo é sempre sábio. Me permito ter confiança no que me balança por dentro, a seguir minha intuição, a sentir o que não cansa o sentimento, mesmo quando o próprio sentir for labirinto. 

Me permito não mascarar o que sinto, a lutar sempre, a mirar longe ainda que a inspiração me falte.

 E só tendo consciência das minhas permissões, cresço, estremeço a alma, bagunço as certezas para arrumá-las de novo de forma mais coerente. 

Só me permitindo, sei que estou no início, mesmo quando a alma se sente no fim. 
Só me permitindo me sinto chegada, mesmo nos dias em que minha maior vontade seja ir embora de mim.

Lilian Vereza




quinta-feira, 28 de julho de 2016

Tudo passa nessa vida



Nesta vida tudo passa.
 As pessoas passam por nossas vidas e nós passamos pela vida delas. 
O que é bom e o que é ruim também passa.
 Até a própria vida passa. 
Nada é eterno.

Nós estamos aqui de passagem, e mesmo que não acreditamos nisso, mesmo que queiramos agredir todas as leis da natureza, não ficaremos para sementes. 

Quando chegar a hora da partida, simplesmente partiremos e de nada vai adiantar chorar, reclamar ou rezar.
Devemos contribuir para a felicidade dos que nos cercam, porque isso nos faz felizes também.

 Devemos sonhar sempre, pois os sonhos nos mantêm vivos.
Devemos tratar com mais amor as pessoas que passam pela nossa vida e, também devemos nos amar mais.

De nada adianta nos apegarmos às coisas terrenas, pois nada levaremos daqui, a não ser a saudade dos que nos quiseram bem.
Faça de tudo para viver em harmonia com os outros, com o universo e com você mesmo.

 Analise seu modo de viver e perceba quantas pessoas sentiram realmente sua falta se você tivesse que partir agora…

Seja importante para si… E para outros….
 Independente do que for….
 Mas … Seja você mesmo!

João Paulo